terça-feira, 11 de setembro de 2007

Trabalho demais

Parece que há meses o homem elogiou meu “orobóros”, na passarela do Metrô; há semanas que eu estava sentada na mesa da cafeteria conversando com o professor de inglês; e há dias que sai às 23hs do trabalho naquela segunda-feira de ontem.
Que fizeram com os dias? Aumentaram?
Só pode, porque desde o começo deste ano meus dias têm mais de 24 horas. E na maioria das horas estou trabalhando.
Nunca na minha vida de 30 anos trabalhei tanto!
O lado bom é que aprendi pra caralho -- com perdão do palavrão.
Aprendi a escrever matérias interessantes, a apurar detalhes, a editar com bom senso. Aprendi a distribuir trabalho, a ouvir críticas, a lidar com pessoas e estilos diferentes.
Aliás, aprendi que pessoas são diferentes. Amadureci com essa lição.
Quando eu era pequena, me perguntava qual seria o ponto divisório entre a infância e a vida adulta. Ouvia as pessoas dizerem que era a maturidade. Quando a pessoa ganhava maturidade, diziam, virava adulta. Pela perspectiva dos meus 13 anos, ter maturidade era saber dirigir, trabalhar e ganhar dinheiro para sair.
Hoje, reconheço que a maturidade é mesmo um marco divisório: entre a imaturidade e a maturidade, entre o amador e o profissional, entre o impulso e a sabedoria, entre a inexperiência e a experiência.
Maturidade é continuar editando o texto mesmo quando a vontade é de abandoná-lo na segunda linha. É respeitar o jeito da pessoa, em vez de dar um soco na cara dela.
Maturidade não é ficar adulta, mas ficar mais confiante, paciente.
Pena que o torcicolo que me machuca há três dias-ano não me deixa curtir a descoberta. É o outro lado de se trabalhar demais.

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